
Quando Sabonete ficou cansado de pensar em arte, começou a pensar em zumbis. E trabalhou em seu plano de contingência contra zumbis. Pensar nos zumbis era menos cansativo do que pensar em arte. Aqui está o que Sabonete sabia sobre os zumbis:
Zumbis não ligavam para sexo.
Zumbis não se interessavam por arte.
Zumbis não eram complicados: bem diferente de lobisomens, fantasmas e vampiros. Os sugadores de sangue, por exemplo, estão no nível gerencial do mundo sobrenatural. Algumas pessoas pensam nos vampiros como se fossem estrelas do rock, mas estão mais para Martha Stewart. Os vampiros eram frescos; tinham que seguir regras e precisavam parecer bonzinhos. Zumbis não eram assim. Você não poderia exorcizar zumbis, e não precisaria de coisas elegantes como balas de prata, crucifixos ou água benta. Era só atirar na cabeça deles, botar fogo ou bater forte no crânio. Havia alguns caras na prisão que sabiam dessas coisas. Que sabiam de tudo, do que quer que você quisesse saber. Tinha caras que sabiam de coisas que você não iria querer saber. Era como se fossem uma biblioteca, mas não eram uma biblioteca.
Zumbis não discriminavam ninguém. Todos eram saborosos de acordo com o gosto deles. E qualquer um podia ser um zumbi; não era preciso ser especial, bom esportista ou bonito. Nem precisava cheirar bem, vestir o tipo certo de roupas ou ouvir o tipo certo de música. Bastava ser lento.
Sabonete gostava de uma coisa a respeito dos zumbis.
Nunca havia apenas um zumbi.
(O Estranho Mundo de Zofia e Outras Histórias)